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domingo, 22 de fevereiro de 2015

João Rosa de Castro - Paisagens Oníricas - Com Prefácio de Olga Maria Gonçalves

A NOITE FRIA



O meu amigo foi embora.



Embora para não voltar.



Fico com os odores desta noite fria.



O meu amigo andava perfumado,
Sorrindo sorrisos diversos.



Agora fico aqui com os ruídos dos eletrodomésticos - fundo da noite fria.



Os copos secos.



Nada de álcool.



Nenhuma embriaguez sequer.



Sobriedade e consciência.



Consciência que engolfa o mundo.



E esta noite fria.



Ouço minhas cansativas coleções.



E daí? Que os prazeres vividos isoladamente não são verdadeiramente um prazer.



O prazer está no olhar atento,
No ouvido atento – no olfato ladino etc.
Nos gestos de companhia.



O meu amigo foi embora
Embora eu o paparicasse,
Eu lhe enchesse a bola,
Eu o exaltasse.



A noite fria fica em silêncio

Enquanto eu me movimento rumo ao infinito!