João Rosa de Castro - Paisagens Oníricas - Com Prefácio de Olga Maria Gonçalves

UMA VIDA NUM VERSO
                      (Aos irmãos, Franco e Fernando)



Um planeta para os múltiplos orgasmos dos seres.



Que andei suspendendo meu vestido de noiva com face monstruosa;
Tornei-me a noiva da morte que brilha;
Sem nome e sem número.



Escondendo minha nudez da vergonha de ter vergonha.
O medo de ter medo procura minha armadura,
Apesar de meu “cavasno” servir-me contra a chuva.


A primavera se prenuncia a cada riso, a toda flor.



Cinderélica à meia-noite em desespero na caverna disfarçada.



Que príncipe será esse o batedor de plebeia?



Sou a mulher mais velha que há – amo a velhice como quem ouve um sabiá, que, perdido na cidade, não soubesse assobiar!



O proletário mais decrépito que jamais existirá.
Combinemos, no entretanto, nossa recíproca tortura,
Nosso silêncio na cama,



Troquemos nossos livros para sermos de repente um o outro meramente e continuarmos nos adorando.



Que andei grávida qual Zeus de seus filhos alegres,
           Dando-te à luz que nasce a cada manhã!

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