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domingo, 5 de abril de 2015

João Rosa de Castro - Paisagens Oníricas - Com Prefácio de Olga Maria Gonçalves

PORQUE HOJE É HANÁ




Haná: o dia da desconstrução.



Divida, em Haná, a pedra em duas.



Sem fazer estardalhaço.



Nada de gritos,
Nada que fuja muito ao silêncio.



Desmontar a máquina no dia de Haná.



Para ser capaz de montá-la em Helena.



Interpretá-la em Jurema.



Escrevinhar e digitá-la em Clarice.



Estampar e copiá-la em Minerva.



Patentear a máquina em Maria.



Divulgar e dedicá-la em Francisca – com festa.



Novamente desmontá-la em Haná,
E assim por diante.



Onde fica o frenético namoro?



Quando ocorre o multiplicar-se?



Quem poderá largar a máquina para ver futebol?



Haná: o dia da desconstrução.



Divida o coração em dez filhos.



Silêncio de nenhum frenesi.



Nada de cortar cebolas e lágrimas.



É possível desconstruir a máquina dormindo.



É possível desconstruir a máquina aos prantos.



E dar nome aos bois - tudo neste dia.



Neste dia de frio, silêncio e divisão.



E onde fica a rima?



Deixe-a colada no ímã.



Faça como faz com a mãe:
Deixe tudo sem rima



Que rima é luxo de poetas ricos!