João Rosa de Castro - Paisagens Oníricas - Com Prefácio de Olga Maria Gonçalves

À HELENA RAMOS




Como não existir o primeiro amor
Ainda pulsando em minha memória?



Como não existir esta deusa que ressoa ali
A um passo do meu afago?



Como não existir o meu bem que me chama
De longínqua cidade para dizer que me ama?



Como não existir este deus-pai, meu pai-deus
Colorindo com um sorriso o meu quarto numa fotografia?



Como não existir meu amigo, cuja voz se transmite
Pelos fios telefônicos da telepatia tão humana?



Como não existir o brilho dessas mulheres
Que agora dormem para estampar na elasticidade do ar
Sua aura tão resplandecente?



Como não existir um corpo cheio de dor e de alívio
Por trás desta voz que ouço no rádio a falar?



Ou ao menos o piloto daquele avião que passa,
Dessa motocicleta explodindo o asfalto?



Sim - a humanidade existe - sinto daqui seu olor
De perfumes misturados na manhã entregue pelas mãos da aurora.



Sim para o dia – seja bem-vindo
A carregar os bípedes passos que levam ao encontro do mais além.




A humanidade existe!

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