João Rosa de Castro - O Erê - Com Prefácio de Rosângela Rodrigues Ferreira

CONTAGEM


Nas silhuetas coerentes
Dos tentáculos dançantes,
Viam-se coisas marítimas.
Tudo que parecia caótico:
A passada poluição táctil,
Os movimentos desordenados
Do playground doutras distâncias,
Agora não se viam.
Via eu a mim mesmo
Querido pelos tentáculos
Da minha nova casa
Acolhedora e óbvia.
Terno e envolvente agasalho,
Acariciando o semi-corpo.
O que é entregar-se?
O que é amar senão sentir-se?
Ficaram na memória dos espectadores imagináveis
As boas-vindas esplendorosas,
A soma da minha matéria
Nessa bolha tão majestosa,
Onde o sonho e o tempo
Formam uma só realidade,
Em que tudo é possível vislumbrar.
O arrepio na inspiração do oxigênio
Soprado pelo Deus a todo instante
O Deus distante e presente, embora.
Já se pode abrir os olhos
Para formar minha consciência.
Não que os toques alheios
Não tenham tido valor.
É que, na sóbria independência
Imaginária e incerta,
De nada tenho saudade.
As cores fazem tão bem
Para as minhas retinas.
As formas que se desenham
E tanto que simbolizam,
Vão assim me pertencendo
E estruturando o meu destino.
Luzes azuis e vermelhas,
Néon e lamparinas,
As variações do branco,
A gradação inerte do negro,
Tudo a preencher o olhar

Com femininas paisagens.

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