João Rosa de Castro - O Erê - Com Prefácio de Rosângela Rodrigues Ferreira

O MACHO


O macho, com sua voz tão grave,
Deu um grito que acordei assustado.
Era brincadeira de assustar.
Depois contou histórias longas
Com sua presença protetora.
E eu ouvia escondido.

O macho, com sua pele rija,
Fazia-me lembrar tempos remotos.
E as risadas que eu ouvia
Desconcentravam a minha dança.
Eu atento a cada palavra do macho,
Imaginava vírgulas e travessões.

O macho, com sua lei,
Me fazia pensar que faltava muito...
O Deus dizia: “É o Pai.”
O Pai dizia: “É o Deus.”
O Pai era mais modesto que o Deus.
Fazia-se de escravo Dele.
Eu fui tendo medo do Deus.

O Pai achava o Deus bom.
O Deus achava era o Pai.
Parecia que não me queriam bem.
Eu enciumava o Deus com o Pai.
Eu enciumava o Pai com o Deus.

O Pai, com sua canção funda,
Parecia-se tanto com o Deus
Que eu não sabia mais

Quem era quem.

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