Marcadores

domingo, 5 de julho de 2015

João Rosa de Castro - O Erê - Com Prefácio de Rosângela Rodrigues Ferreira

A HORA
 
Adeus, minha África,
Que o Deus expulsou-me.
Um grito tão mudo
Um nobre suspiro
Ocupa o meu peito
Nesta vastidão.
Tudo ficou distante.
Nunca mais o abraço!
Nunca mais essa entrega;
Esse estar só em mim.
 
Adeus, minha tribo
Que aqui tem asfalto.
A dança da chuva,
A festa do fogo,
O urucum desenhado
Serão só memória.
 
Metais disfarçados,
Olhares externos
Me prendem,
Me querem,
Me tomam para si.
A civilização:
Fast-food.
A urbanização:
Urubus
A martirização:
Glu-glu
A piedade:
Air-bag
A in-saciedade:
Ducredo
A informalidade:
Tudo é azedo.
Zero:
Um tapa.
Um:
Um lapso.
Dois:
Um terço.
Viver não tem cura.