João Rosa de Castro - O Erê - Com Prefácio de Rosângela Rodrigues Ferreira

O JEANS


Pra não repetir o que já disse
Digo-o desse modo disfarçado.
O ontem, o hoje, o amanhã
São só memórias inventadas.

Manifesto, maniatado, o meu desejo.
Duro o mundo. Duro, duro.
Eu, menos duro e mais calado,
Estúpidos cupidos vejo aos montes.

Tróia e rua Helvétia Damasceno.
Nilo e Tietê são bons amigos.
Monjolo, o Caetano diz primeiro.
Repolho é comida, é comida.

Paredes cheias de quadros e grafites.
Pichação mesmo! pura e simples.
Embaralhado ficou o meu pensamento.
Escorriam as bolhas do teto ao chão.
Arrastavam-se no vertical caminho.
Espalhada a pasta no piso claro,
Os jornais já recolhiam pra notícia.

Eu estou num país.
Eu estou numa vila.
Eu estou no meu quarto.

E tem o hospital.
E tem o velotrol.
E tem o arraial.

O jeans molhado que a bunda aperta
Nos olhos é azul, na pele esquenta.
No bolso tem dinheiro e uma foto.
A calça cobre as pernas e vai aos pés
Tudo normal. Tudo normal.

A estupidez não é uma palavra.

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