João Rosa de Castro - O Erê - Com Prefácio de Rosângela Rodrigues Ferreira

AMBIÇÃO


Na cadeira tem um nome
Que é do pai que chega à noite.
No intenso dia ao fim
Entra vento na janela.
Se as paisagens são incultas
E os passos caipiras;
Se é um ensaio de mundo
Ou um prelúdio, prematuro;
Eu é que me torno inteiro
E quero sentar na cadeira.

Tiro a roupa da terra e me visto.
Colho a batata rasteira e mordo.
Numa insistência de sentir
A abrasadora e conhecida do estômago fome.
Numa agonia de viver
A encantadora e procurada do meu corpo nudez.

Em nome de quem é preciso que te visite?
Com qual interesse vou olhar o teu rosto?

Já amo cedo e mastigo carne.
Esculpo pensamento com a minha mão pequena.
Tenho capacidade de querer vicioso.
Estou com muita graça.

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