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domingo, 13 de setembro de 2015

João Rosa de Castro - O Erê - Com Prefácio de Rosângela Rodrigues Ferreira

O PERFUME


Daí começou o desejo de partir,
De voltar para onde estivera antes.
Eu me via desintegrar
E formar figuras celestiais – figuras infernais.
Era o fim.
Fim de mim.
Fim de tudo.

Um fim com ares de recomeço.
Um tornar-se novamente sensações.
Chegar até aqui e voltar
No circular movimento.
Mas, não!
Era preciso continuar.
Seguir ao encontro do desconhecido.
Descobrir o futuro inimigo.
Distanciar-me cada vez mais de mim mesmo
Ao ponto de me desconhecer ao espelho.
Isso começou tão cedo!
Isso ficou sem métrica.
Eu surpreso.
Eu inquieto.
Querendo os perfumes mais singelos ao redor.
Para me livrar desse impulso mórbido.
Reconceber-me
Zerar.
Sumir.

Daí começou o desejo de partir.