João Rosa de Castro - O Erê - Com Prefácio de Rosângela Rodrigues Ferreira

A MALOCA


O moleque comeu a moqueca.
A marmita caiu na avenida.
Abriu-se toda – uma vergonha.
O moleque deu o pé pra doce de amendoim.
A quaresma durou muito tempo.
A fogueira de S. João deu pipoca.
Galinhas mortas subiam para os céus!
E aquela moça tinha o cangote cheiroso.

Maritaca passou pela rua,
Cumprimentou todo mundo.
Eita que baita candanga
Correu pra ir beijá-lo.
Eita preula, na boca.
Feito a novela das sete.

Mas eu já vinha notando
Que a civilização se divide
Em neutrons comuns azulados
E enzimas cardíacas prontas,
e prótons sagazes secretos,
em netos de quem não foi pai,
as mães que dizem com talco,
e filhos que respondem com ira.

Quem vai dar jeito no mundo?
O mundo vai dar jeito em quem?
Convém esperar os alienígenas

Nos discos voadores do além.

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