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domingo, 7 de fevereiro de 2016

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra


CAFÉ REQUENTADO

Vai até o fim da igrejinha
Na estradinha do córrego.
Você segue toda vida,
Passa pelo cemitério
E faz o sinal da cruz.
A estrada começa
E você caminha ela.
Ela continua como indo pros bambuzais.
Como passando na casa dos pretos.
Vai pelo morro dos cupinzeiros a estrada longa.
Segue como quem vai o morro da cachoeirinha
E vai depois do morro,
Vai depois do morro,
Bem depois do morro.
Toda a vida.
Ai você vai ver a descida da boa morte.
Pega o caminhozinho que começa nela à esquerda e vai até o fim.
Lá no fim da boa morte tem um riacho.
Atravessa a pontinha que corta.
E pulando as pedras você vai ver a casa.
O casebre de madeira, a choupaninha sem banheiro dentro.
É lá.

É lá que ficam os computadores com placas de diamantes, chips de ouro, antenas de esmeraldas, torres de jaspe, cabos de fibra prateada, toda a rede que difunde o sistema dos sistemas, o programa dos programas e transmite os sinais que regulam o temor humano e o movimento cósmico de toda existência pulsante e de onde Deus sozinho joga seu eterno videogame escondido do resto do mundo.