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domingo, 8 de maio de 2016

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

O INVERNO

Afasta a tua espada zonza.
Que minhas flechas deslizam.
Desvia o olhar temeroso
Que os dedos são para sentir.
Se temes a dor e o pão.
Se temes estranha unção.
És gente, és camaleão.
És folha em branco, e então?
Escrevo no chão com meus passos.
Escrevo e não apago, não.
Quem lê uma história, uma honra.
Não esquece, não esquece, não.
Eu sou quem começa e termina.
Às bordas do vil ribeirão.
Eu sopro o ardor dos teus olhos.
E apago de ti as esquinas.
Arranco das mãos tuas armas.
E torço para que fiques bom.
Eu sou o elixir esperado.
Eu sou coração e razão.
Afasta a espada sarada
Pois vejo ranhura nas naus.
Devolvo o moinho travado
E volto varrendo o quintal.
Eu sou o hálito gelado
Da boca do outro dragão.