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domingo, 9 de outubro de 2016

João Rosa de Castro - Amargo & Inútil


Haveria vontade própria aos homens supracitados se não tivessem sido lobotomizados em sua longa e prolífera infância. Teriam-se tornado infra-homens. Teriam sido infra-homens não tivessem com pé errado começado. Haveria a básica ordem e o digno progresso na vida desses senhores frutíferos se não os houvessem submetido a tribunais militares secretos. Por sorte, por sorte fazemos quanto determinais mas não vivemos como viveis. We do speak thy language but we do not give a shit for thy sermon. Cuidais que nos coagis, somos porém bons atores do real. Dizeis: lutam, prende-os! Quando pondes reparo em nossa luta, ela se traveste de dança e dizeis: dançam, deixa-os dançar! E dançamos deveras e rebolativos.  Golpes capoeiris. Nunca seremos tão coercíveis assim. Super-homens mascarados de flores de setembro – prosaicos. E haveria surtos de realidade brasileira no peito do pró-humano não fossem aplausos franceses cantando o êxito (e o bom gosto por gravatas e/ou perfumes caros), o melífluo e severo francês de sua excelência e sapiência. Impulsos propagandísticos caem bem à nossa pátria nesta hora: é estatisticamente correta a inocente alegria das gentes. É estatisticamente correto o quanto pensam, refletem, estudam, questionam. É estatisticamente correto o quanto cospem na cara de nós tecnocratas imbecis. Dissimulemos que os absurdos sejam normais no exato momento em que nos envergonhamos no caixa do supermercado. Finjamos. Faz de conta, faz de conta: nós ignaros. Haveria uma anexação descomplicada e fácil não fosse da sociedade esse pulso silencioso, hercúleo, laborioso e febril em se manter soberana. Pensáveis que mesmo unido nosso povo seria vencido. Errastes. Go back to thy home.