João Rosa de Castro - Amargo & Inútil


RELICÁRIO Vinte e cinco de janeiro. Longo dia. Longo dia. Manifesto é reza. Vinho é reza. Resposta na ponta da pena é reza. Não é preciso mais sacristia, batina, latim. O homem sozinho já é catedral. O homem sozinho é arranha-céu. É comércio. É praga que contamina outros homens. Rodeado de anjos, atado às correntes mercadológicas – é capital. Sua língua corta, assusta, corrói, enlouquece os mortais. Nada de brigar por um prédio. Este templo transformado em barraco. Sua briga é quase com Deus. Quer o Éden de volta. Quer a Grécia antiga. O Olimpo. Ninfas majestosas. E derrubar bastilhas escondidas num baú que dá fel e dá cidade. Esse velho, esse homem, esse moço, esse menino, esse feto, esse sêmen, esse impulso de penetração, esse desejo de vida possui um terreiro, possui um palácio, possui panteão, e voz que lembra sangue. Venta, inventa, desinventa, reinventa o mundo a cada suspiro que imprime no ar. Convida seres carentes para refletir, para pensar, para parar um pouco. Ou muito. E não basta retaliar canadás, prender os ladrões, limpar o planeta com desinfetante. Tem as águas de março e a promessa de vida, tem o jugo suave, o procon dos eleitos. Reclama vidas perdidas de torres horizontais formadas de viventes remanescentes – torres derrubadas –, sobreviventes. Quantos de nós foram aniquilados? Tudo ele vê. Até os erros nunca flagrados pelo high-tech telescópio do planalto. Denuncia kwarshiorkor: sede de tântalo. Inicia uma revolução no lixão de Valparaíso e segue para as estrelas – de onde anuncia a reforma. 

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