domingo, 22 de outubro de 2017

João Rosa de Castro - Bis


A MINHA POESIA

A minha poesia teve toda chance de ser pura,
Mas revestiu-se de uma vegetação muito pesada.
Pôde ser uma donzela.
Encantando os tiranos e a meiga senhora.
Mas quis dançar nos palcos, cabarés.
Ela teve toda chance de ser só uma utopia,
Mas cruzou os mares e foi ser vedete em nórdicas paragens.
Ela, tão inquieta, elétrica falou
O que eu como pessoa jamais pude imaginar.
Ela foi uma corda e um nó prontos
Para me amarrar ao mundo.

A minha poesia teve toda chance de ser mãe,
Mas só quis ser filha, assim ovelha negra,
Árvore maldita, sonsa, mal amada.
A minha poesia é falsa.
A minha poesia é clubber
A minha poesia é devassa:
Nunca se apaixonou por ninguém.

João Rosa de Castro - Persona Non Grata

O DIÁRIO Anda por ruas estreitas que dão na avenida. Vê os passantes apressados esperando o sinal. Frisa que sabe onde é norte – pr...