domingo, 1 de julho de 2018

João Rosa de Castro - Amor Grátis

TITÂNICAS SAUDADES

Diz, meu monstro escondido.
Que queres dizer?
Que és nascido na barbárie?
Isso a mim não é novidade.
Diz algo novo, meu monstro.
Sei que quando falas és nutrido
De uma esperança de ser,
Mas adianto: não serás.
Quero apenas que me contes
A tua chateação deste momento,
O que se passa no teu duro coração,
As imagens que vês, trancado no escuro.
O que pensas em destruir,
A alegria que tentarás corromper.
Diga, meu monstro escondido,
Que queres lamentar?
O impossível elogio da tua utilidade?
Tu és a fonte de toda espécie de vergonha.
A moral à espreita
Tenta distinguir-te,
Tenta extinguir-te.
Tu não tens lugar no mundo sem arte.
Seria preciso enlouquecer metódico.
Seria preciso desistir por completo de respirar os ares da vida
Para que tu assumisses o poder que me pertence...
Mas rezam os ecos da natureza:
“Os monstros são os meus anjos na escuridão”.


ORDEM E RETROCESSO

A ordem deste romance futurológico e, ao mesmo tempo, histórico não leva ao progresso, assim como muitas ordens que pretendemos progressivas.
Não é matemática a natureza da vida em sociedade. Essa causa e efeito são apenas inferidas na ilusão. Nossa barbárie não permite mais pensarmos em causalidade. O mundo ficou surreal como uma obra de Salvador Dali. Augusto Comte perde contato com a realidade a cada esforço que alguém tenta fazer para obter “progresso”. Ao mesmo tempo que o lema de nossa atual bandeira permite pensarmos melhor aquele livro do Eclesiastes – mais realista do que o positivista francês, apesar dos fumos científicos.
Com isto quero dizer que, tanto é certo que alguém que mantenha a ordem obtenha daí o retrocesso, como o é que alguém que mantenha a desordem obtenha o progresso. Principalmente depois do feminismo. Apesar de que a nossa natureza não impeça que alguém também obtenha, eventualmente o progresso resultante da ordem ou o retrocesso da desordem.
Por isso que me foi, não apenas fácil, como também agradável escrever Ordem e Retrocesso, e escrevi-o em menos de um mês, de um só fôlego. A tirar o maior sarro do passado, do presente e do futuro: da lógica e de Logos. A escolher para limite, no plano do conteúdo, a primeira hipótese do parágrafo anterior.
É meu segundo romance. Tem seus limites como todos os meus livros. Aliás, como todos os outros, tem mais limites do que métodos. Se é que se pode separar método de limite.
Também foi para avaliação no segundo prêmio da Amazon. Sem nenhum progresso, aliás. Mesmo assim, faz muito sucesso no círculo conjugal entre mim e os amigos. Agora participa do prêmio São Paulo de Literatura e será traduzido na época devida.
O seu autor,
João Rosa de Castro

João Rosa de Castro - Persona Non Grata

O DIÁRIO Anda por ruas estreitas que dão na avenida. Vê os passantes apressados esperando o sinal. Frisa que sabe onde é norte – pr...