domingo, 29 de dezembro de 2013

João Rosa de Castro - Flores do Pântano

AURA CINTILANTE

Sua pose estatuária,
Fixa no meu pensamento,
De uma nudez imperscrutável,
De mil possibilidades de prazer,
De um silêncio vespertino,
E uma música ardente e viva,
Junta com as mãos os extremos impossíveis,
Dá vida ao que jaz inamovível,
Chama os seres a uma distância incomensurável,
Que surgem rápido, colorindo uma tela em branco.
Dá rumo a cada passo – evitando uma queda.
Ajusta as narrativas confusas na minha mente,
Beija o meu corpo de amor.

Sua imagem, fixa no meu pensamento,
Dá conselhos amigos,
Prevendo a felicidade vindoura,
Ouvindo atenta os meus gemidos,
Cresce numa aura cintilante,

Mas vacila e se perde por completo

Quando deparo com você fora de mim.

domingo, 22 de dezembro de 2013

João Rosa de Castro - Flores do Pântano

AS FLORES DO TEMPO

As horas passam e me convidam 
No convite enigmático,
Para ser feliz.
O cigarro me cega.
O palato em nicotina
Ensombra a dança das horas.

As horas fazem a corte,
Insistem para que eu sinta
As luzes com o olhar.
O compromisso com o mundo:
Dissecá-lo,
Abrir suas vísceras,
Destrinchá-lo,
Como se eu não fosse parte dele,
Adia o beijo das horas,
Cada uma com uma finura diversa nos lábios,
Cada uma com um contorno no seio.

As horas cantam alto o futuro,
Para que eu me desenhe nele.
Mas as lembranças do passado,
A obstinação da memória,
Ensurdecem meus ouvidos para o canto,
E só faz ouvir a música que compõe a saudade,
Prazeres e dores de um tempo antigo – longínquo.

Porém as horas são eternas,
Ninfas que só pretendem
Embelezar meu universo,
Com cores, pedras preciosas e perfumes,
Imagens de uma tela perdida

Em alguma parte de mim.

domingo, 15 de dezembro de 2013

João Rosa de Castro - Flores do Pântano

TICKET TO THE PAST

Onde estão meus cabelos
E o perfume de menta?
Onde estão as pessoas da festa?
Procuro perdido na imensidão
O sorriso que me fazia sorrir,
O pranto que me fazia chorar,
A gasolina que saía transformada do escapamento,
Poluindo meu caminho.
Como me caía bem a superficialidade,
Como me embelezava a ingenuidade.
O meu silêncio perdido entre as falas,
Minhas risadas: vinte e poucos anos.
Eu chorava,
Eu brincava,
Eu saía,
Eu gastava.
Hoje uma velhice precipitada
Secou minha lágrima,
Paralisou meu gingado,
Afastou os amigos
E enxugou a conta bancária.
Resta-me ainda o meu quarto,
A eterna solidão,
A saudade de tudo

E a música que faz tudo lembrar.

domingo, 8 de dezembro de 2013

João Rosa de Castro - Flores do Pântano

MINOTAUROS

Despedida de quem não foi encontrado.
Um beijo no espaço vazio – um abraço no nada,
Que é o desejo por tudo,
Por todos os corpos
Por todas as bocas.
Tudo misturado à água do cântaro
Para saciar uma sede rara e mortal.

domingo, 1 de dezembro de 2013

João Rosa de Castro - Flores do Pântano

O que fazer

se a carne do homem é nociva para a mulher

e a carne da mulher é indispensável para o homem?


Vamos para o pântano!



SOLIDÃO A MIL

Sou feito de carne e osso,
Uma alma que irradia,
Uma tensão, uma folia.
Sou feito de ironia.
Minha “mentalidade”
É minha única companhia.
Vocês, que passam intensos – mudos,
Formam o meu cenário
De silêncio e alegria.
Ficarmos um momento apenas
São os detalhes do dia.
No fundo, estamos só,
Numa noite infinita
De silêncio: melancolia.

Prefácio de Carla Adriana Reinaldo Garcia dos Santos

Prefácio

Em seu livro “Flores do Pântano”, João Rosa de Castro lembra que a poesia reside na alma humana.  E, como bem diz Rubem Alves, “Alma é o nome do lugar onde se encontram esses pedaços perdidos de nós mesmos. São partes do nosso corpo como as pernas, os braços e o coração. Circula em nosso sangue e está misturada com os nossos músculos...”.
Então, a poesia é a arte de fazer com que as palavras contornem os sentimentos, o pulsar dos sentidos que nos habitam para, com uma sonoridade harmoniosa, expressarem o que flui do coração, endereçando-nos à emoção.
Assim, o autor faz das lembranças vividas e do sentimento de solidão a matéria prima, o barro vivo, que molda em poesia onde retrata o amor, o prazer, a dor, seus deuses, seus sonhos e seu mundo a seu modo, isoladamente. Desta forma, desenha a saudade no caminhar contínuo do tempo, na busca pelo sentido da existência.
Demonstra uma sensibilidade límpida, criatividade, suavidade e habilidade em brincar com as palavras em uma escrita sem rodeios.
O poeta, logo no início do livro, convida-nos a irmos com ele ao pântano para encontrarmos a magia que moverá nossa emoção em cada uma das “flores” que poderão ser colhidas, uma a uma, durante 36 semanas que levará a publicação do livro aqui no Lume d'Arena. 


Carla Adriana Reinaldo Garcia dos Santos

João Rosa de Castro - Amor Grátis

FILOSOFIA TROPICAL A Mário, ares nordestinos, Ditirâmbicas brisas, revigorando a manhã. Passagem livre pelas portas bem trancadas....